Países flexibilizam a imigração para atrair mão de obra qualificada

Número de brasileiros vivendo no exterior bate recorde e cresce 122%

Conhecer outras culturas, aprender uma nova língua, estabilidade financeira, qualidade de vida, estudar ou viver aventuras. Por diferentes motivos, os brasileiros sonham em mudar de país. Uma conjunção histórica de fatores com gosto agridoce, que mistura desesperança com esperança de dias melhores. A pesquisa, realizada pela FGV Social, revela que 47% dos jovens, de 15 a 29 anos, desejam sair do país para ter melhores condições de vida. O sonho é possibilitado por países que não conseguem encontrar mão de obra qualificada em seu povo nativo. 

O Brasil sempre atraiu imigrantes, e hoje vivencia um momento inédito de diáspora. De ímã de pessoas virou um “exportador de gente”. O número de brasileiros vivendo no exterior cresceu 122%, pulando de 1,9 milhão em 2012 para 4,2 milhões em 2020, conforme levantamento do Itamaraty. A tendência é de crescimento, e os dados oficiais são subestimados, já que o Brasil não tem controle de todos que saem e não retornam. Além disso, os brasileiros que vivem ilegalmente no exterior estão fora da estatística oficial.

A boa notícia para quem cultiva o sonho de trabalhar no exterior é que muitos países flexibilizaram a entrada de imigrantes. A Europa, conhecida como velho continente, faz jus ao nome, com o aumento da expectativa de vida e a baixa taxa de natalidade. O acelerado envelhecimento da população tornou-se um problema demográfico e econômico. A mudança de postura e “abertura dos braços” à imigração deve-se à falta de mão de obra e à necessidade de movimentar a economia. 

Mudar de pátria envolve sair da zona de conforto. A transição não é fácil, pois é preciso se despir do preconceito e ser maleável. Antes do impulso de arrumar as malas, para minimizar o choque de expectativas, é importante pesquisar países que se encaixam mais no perfil da pessoa. Confira países que desenvolvem projetos para atrair imigrantes, com as vantagens e os requisitos de cada um.

Canadá

O Canadá é o segundo maior país do mundo, com apenas 38 milhões de habitantes. A escassez de mão de obra é um problema antigo, que se intensificou com a pandemia. O desafio é atrair trabalhadores qualificados, principalmente jovens de até 35 anos. O país criou diretrizes para combater o déficit populacional, que em 2020 apresentou declínio na taxa de natalidade pelo quinto ano consecutivo. O governo planeja dar residência permanente, até o final de 2023, a mais de 1,2 milhão de novos imigrantes.

O intercâmbio cultural faz o país manter a competitividade. Em 2019, os imigrantes foram responsáveis por 80% do crescimento demográfico. O país é conhecido pela receptividade; no site do governo canandense, tem detalhes sobre os mais de 60 programas de imigração, que abrangem diferentes perfis profissionais. 

A preferência é por jovens, que, além de trabalhar, possam criar raízes, pessoas com domínio do inglês ou francês, com curso superior e comprovação financeira de CAD$ 10 mil (dólar canandense), para um período de 12 meses. 

Em contrapartida, o visto permanente oferece muitos benefícios; além de trabalhar legalmente, possibilita acesso à educação de excelência, serviço médico gratuito, melhor remuneração e a possibilidade de futuramente pleitear a cidadania. 

É um país com muitas possibilidades, e as vagas de empregos quase dobraram em 2022: são mais 915 mil vagas em aberto, conforme dados do Statistics Canada. Os segmentos de construção civil, saúde, assistência social, logística, suprimentos e tecnologia tiveram aumento significativo. 

Alemanha

Os imigrantes também são a alternativa alemã para a crise da mão de obra. A Agência Federal do Trabalho aponta que são necessários 400 mil imigrantes anualmente para suprir as demandas operacionais. Existe escassez de profissionais qualificados em diversos setores, principalmente em medicina, enfermagem, fisioterapia, engenharia, logística e profissões técnicas. 

O envelhecimento populacional na Alemanha é um entrave à expansão da economia, e o cenário é propício para brasileiros jovens, com formação superior, mestrado e doutorado. A nova Lei de Imigração de Mão de Obra Especializada, que entrou em vigor em 1º de março de 2020, simplifica o visto e oferece acesso ao mercado de trabalho alemão para profissionais qualificados, que são de países fora da União Europeia. O governo também disponibilizou o portal “Make it in Germany”, para que os interessados possam se informar sobre a lei em diversos idiomas. 

Portugal

A atual maré econômica conduz os brasileiros a um movimento inverso, no sentido dos colonizadores. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), responsável pelo controle de imigração em Portugal, destacou o recorde de 221 mil brasileiros residindo legalmente no país. Atraídos pela familiaridade da língua, qualidade de vida e segurança, eles representam mais de 30% de todos os imigrantes. 

O país tem uma política favorável à imigração, mais flexível que a maioria das nações europeias. Reformulada em 2017, a Lei de Estrangeiros de Portugal simplificou e facilitou a entrada de estrangeiros que sonham em trabalhar ou estudar em terras lusitanas. 

O idioma é o mesmo do Brasil, mas as empresas valorizam quem domina outras línguas. Marketing, tecnologia da informação, engenharia, recursos humanos e logística estão entre as profissões mais requisitadas. Antes de comprar a passagem para Lisboa, capital do país, pesquise sobre o visto de trabalho, como é separado por categorias – é importante entender antes de aplicar.

Austrália

A meta australiana é dobrar a entrada de imigrantes. A crise de mão de obra ficou nítida com as fronteiras fechadas, durante o período mais intenso da pandemia. O governo divulgou mudanças expressivas nos vistos para atrair profissionais qualificados em setores críticos, como saúde e hotelaria, e para estudantes e trabalhadores temporários. 

O destino é um dos mais populares pela qualidade de vida, sistema educacional robusto, baixa taxa de criminalidade, oportunidades de empregos bem remunerados, economia estável, com uma das moedas mais fortes, e atendimento médico gratuito para residentes. É considerado pelas Nações Unidas como o segundo melhor lugar do mundo para morar. 

você pode gostar também

Este site usa cookies para melhorar sua experiência, você pode optar por não participar, se desejar. AceitarLeia mais