Como fazer o vale-alimentação durar mais em tempos de crise

Estratégias no uso do benefício ajudam o consumidor a vencer a alta de preços dos alimentos

O dia a dia dos brasileiros tem sido desafiado pela alta de preços dos alimentos. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor da cesta básica nas capitais do país varia entre R$ 516,82 e R$ 715,65. Esses custos, apurados em Aracaju e São Paulo, respectivamente, correspondem a 42,6% e 59% do salário mínimo, fixado em R$ 1.212.

O peso no bolso do consumidor é reflexo de uma conjuntura que engloba diversos fatores, como os consecutivos reajustes dos combustíveis usados para o transporte das mercadorias, o encarecimento da energia elétrica necessária para a produção, a alta nos preços de fertilizantes e outros insumos importados, além dos fatores climáticos que alteram a oferta dos alimentos.

Diante do cenário desafiador, especialistas recomendam estratégias para utilizar o vale-alimentação a fim de que os recursos rendam o suficiente para assegurar as compras no supermercado. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) e a Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) orientam sobre como se preparar.

Antes das compras

As três instituições concordam que as compras do supermercado devem ser planejadas. Por isso, a primeira dica é delimitar o valor que será gasto. A Abefin explica que a definição pode ser feita conforme o padrão de consumo: se as compras são semanais, é preciso dividir o valor do vale-alimentação por semana; se forem mensais, o recurso a ser utilizado é o total disponível pelo benefício.

O segundo passo do planejamento é fazer a lista de produtos essenciais. Na avaliação do Idec, ela é fundamental para nortear o consumidor na hora das compras e evitar o consumo por impulso. Para garantir que os itens listados caibam no orçamento, a Proteste sugere que o consumidor leve uma calculadora e monitore os preços.

Outras recomendações são comparar os preços entre os supermercados, não sair cansado ou com fome e, se possível, não levar as crianças. Caso seja necessário que os pequenos acompanhem, a Proteste aconselha ter uma conversa antes para explicar que as compras incluirão apenas os produtos que estão na lista.

Na hora do supermercado

De acordo com a Abefin, as compras do supermercado não devem ser feitas com pressa. É preciso ter boa vontade e paciência para ir a mais de um estabelecimento, comparar preços e manter-se atento às promoções.

O Idec alerta que as ofertas podem ser aliadas ou vilãs do orçamento. Por isso, antes de comprar algum produto porque está mais barato, a orientação é se questionar se ele realmente é importante. O ideal é que as compras se mantenham o mais fiel possível à lista feita para, assim, evitar “armadilhas”.

Com relação aos produtos listados, é recomendável aproveitar promoções e, também, substituir marcas para abaixar o preço das compras. Outra alternativa é a substituição do próprio produto por um similar, como batata por mandioca ou inhame, carne de boi por frango e arroz por macarrão.

O Idec também alerta sobre os “truques” na disposição dos produtos no mercado. Os itens de primeira necessidade costumam ficar ao fundo do estabelecimento para que os consumidores possam ver mais mercadorias no trajeto.

Nas prateleiras, os produtos com valores mais baratos costumam estar na parte mais alta ou mais baixa, de modo que não são vistos de primeira. Além disso, perto de onde se formam as filas dos caixas, há guloseimas, como balas e chocolates avulsos, que podem aguçar o interesse do consumidor enquanto espera para ser atendido. Já sabendo dessas estratégias, o Idec afirma que é fundamental manter a atenção para evitar que elas tirem o foco de manter as compras dentro do orçamento.

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